Atuação

Biodiversidade & Resiliência

Pressões provenientes do modelo de desenvolvimento adotado no século XX, a partir do consumo acelerado dos recursos naturais e da crescente urbanização, geraram grandes desafios para a proteção e conservação da biodiversidade e para o enfrentamento dos efeitos da emergência climática nos territórios. À luz da conservação dos ecossistemas, da promoção do uso adequado de recursos naturais e da busca pelo aumento da resiliência nas cidades dentro do contexto das mudanças globais, se faz necessário repensar os modelos de desenvolvimento.

 

É justamente em nível local que são sentidos de modo mais extremo os efeitos drásticos da emergência climática e da supressão da biodiversidade. Por essa razão, torna-se cada vez mais necessária a implementação de ações, por governos locais, focadas na manutenção e incremento da biodiversidade em seus territórios. Investir em Soluções baseadas na Natureza (SbN) tem se mostrado eficaz na prevenção ou minimização de boa parte dos problemas, assim como na obtenção de resiliência climática em ambientes urbanos.

RODA DE AÇÃO LOCAL PARA A BIODIVERSIDADE

METODOLOGIA

 

O mundo agora está entrando na Década da Restauração do Ecossistema (2021-2030). As ações implementadas pelos governos regionais e locais também se refletem nas estratégias e metas de biodiversidade de seus países, e são projetadas em um contexto global em que a governança coletiva busca alinhar as ações nacionais não só em favor da biodiversidade, mas também também diante da emergência climática.

 

A fim de facilitar o processo de criação e implementação de ações locais para a biodiversidade, foi sistematizada uma metodologia chamada Roda de Ação Local pela Biodiversidade, que pode ser aplicada tanto na elaboração de Planos de Ação com perspectivas mais amplas quanto na projetos específicos, por meio de planejamento cíclico para garantir eficiência e transparência.

Metodologia

Veja aqui as etapas para criar e implementar ações locais para a biodiversidade.

I. ANALISAR

entender o quadro geral do estado da biodiversidade local, legislações existentes e aplicáveis; promover um diagnóstico; se comprometer publicamente com ações pela biodiversidade.

II. AGIR

elaborar um Plano de Ação; detalhar as Soluções Baseadas na Natureza; implementar e monitorar as ações.

III. ACELERAR

Integrar-se a outras iniciativas em diversos níveis de governança para ampliar o alcance das ações; revisar e aprimorar o Plano de Ação, promovendo ajustes de rota se necessário; compartilhar boas práticas com a sociedade, inspirando outras iniciativas semelhantes.

 

 

Esta fase começa com um compromisso com a implementação de medidas concretas, seguido do estabelecimento de um plano de comunicação e mobilização para envolver as partes interessadas na promoção, desenvolvimento e implementação da estratégia de biodiversidade. É necessário também realizar um diagnóstico do estado da biodiversidade para entender e identificar o que já existe na estrutura, políticas públicas, ações e outros instrumentos que envolvem o município e que podem influenciar a agenda local da biodiversidade, além de analisar o contexto legal em que cidades estão inseridas. É necessário realizar um diagnóstico sobre a situação do território para identificar oportunidades e principais ameaças, riscos e tendências, de forma a promover o desenvolvimento de Estratégias e Planos de Ação Locais para a Biodiversidade.

 

Na segunda fase, é necessário pensar na estruturação da estratégia a ser implementada em Plano de Ação e escolher as melhores soluções para o território em questão, incluindo informação sobre as medidas adotadas para o desenvolvimento de projetos e programas. Também devem ser definidas intervenções prioritárias mais adequadas aos objetivos propostos, com detalhamento e garantias de recursos e eficácia para a implementação das ações, além do acompanhamento dos projetos-piloto e posterior avaliação dos meios para aumentar a escala das iniciativas.

 

Neste último ciclo, é necessário pensar na integração das cidades com outras esferas de governo, outros municípios e iniciativas, de forma a ampliar o alcance e o impacto das ações, bem como atuar nas redes de cidades e demais articulações coletivas. É também nessa fase que é avaliada a implementação do Plano de Ação e definidas as ações a serem tomadas a partir de então, além de estimular a preparação para as próximas etapas. A atuação em sub-redes também ganha destaque nesta etapa, com a divulgação das estratégias da agenda da biodiversidade, a possibilidade de troca de experiências e inspiração e a adoção de projetos de sucesso em outras localidades com perfil semelhante.