Primeira edição do Action Fund Brazil é encerrada em encontro com parceiros no RS

Entre 2020 e julho de 2022, foram investidos mais de R$ 2,6 milhões na implementação de quatro projetos em Curitiba e Porto Alegre, com benefícios diretos para mais de 3 mil pessoas de comunidades carentes, evitando a emissão de mais de 174 mil tCO2e na atmosfera.

07 de jul de 2022

Ajudar a reduzir os impactos da crise climática no planeta é o objetivo do Action Fund, financiado pelo Google.org e gerido pelo ICLEI América do Sul. Em sua primeira edição, que ocorreu entre 2020 e julho de 2022, o Action Fund Brazil teve quatro projetos implementados: dois em Curitiba e dois em Porto Alegre. Entre os resultados do investimento de mais de R$ 2,6 milhões a fundo perdido nas quatro iniciativas estão o impacto positivo e direto para mais de 3 mil pessoas em situação de vulnerabilidade e a redução de mais de 174 mil tCO2e emitidas na atmosfera.

 

 

Com o objetivo de reunir os parceiros e implementadores das iniciativas, divulgar os resultados encontrados, compartilhar os impactos gerados e fomentar a replicação em outros territórios, foram realizados encontros nos dias 6 e 7 de julho, em São Leopoldo e Porto Alegre. Representantes das prefeituras beneficiadas e das organizações da sociedade civil que implementaram as iniciativas estiveram presentes e puderam compartilhar e trocar experiências. Os quatro projetos de ação climática selecionados foram implementados com base na utilização dos dados da plataforma Environmental Insights Explorer – o Google EIE.

 

 

Na tarde do dia 6, ocorreu a Sessão “Ação Climática com o Uso de Dados do Google EIE: apresentação de resultados do Action Fund Brazil”, durante o I Encontro Regional ICLEI Sul, que ocorreu na Unisinos, em São Leopoldo. Na manhã do dia 7, ocorreu uma sessão interna e técnica de encerramento da iniciativa, no Tecnopuc, em Porto Alegre. À tarde, foi realizada visita técnica à Escola Morro da Cruz (uma das instituições beneficidas com a instalação de placas fotovoltaicas e biodigestor), além do encerramento oficial do Action Fund Brazil.

 

 

Confira aqui um vídeo sobre os projetos, aqui a Cartilha Interativa sobre a primeira edição do Action Fund Brazil com hiperlinks para fotos, vídeos, notícias e documentos e, abaixo, as iniciativas implementadas e seus principais resultados:

 

 

Morro da Cruz Circular (Porto Alegre)

Organização líder: Centro de Inteligência Urbana de Porto Alegre (CIUPOA)

Consórcio: Pyxera Global, ViaVerde Energia, 5Marias, Daniely Votto Consultoria

Resumo do projeto: foram instaladas placas fotovoltaicas e biodigestores em duas escolas municipais. Um Centro de Tradições Gaúchas (CTG) também ganhou um biodigestor.

 

  • Por meio da instalação de painéis fotovoltaicos, combinados com ações de eficiência energética realizadas pela Prefeitura de Porto Alegre, as contas de eletricidade da Escola Municipal de Educação Fundamental (EMEF) Morro da Cruz foram reduzidas em 93% de novembro de 2021 a julho de 2022, resultando em uma economia de R$ 28 mil aos cofres públicos. Além disso, 16tCO2e deixaram de ser emitidos neste período, contribuindo para a mitigação de gases de efeito estufa.

 

  • Ao todo, três biodigestores e três fogões adaptados foram instalados nas duas escolas participantes (EMEF Morro da Cruz e EMEF Prof. Judith de Macedo) e no CTG, todos localizados no Moro da Cruz, uma comunidade vulnerável. Além da economia de R$ 1.400 na compra de botijões de gás, pelo menos 1500 kg de resíduos orgânicos já deixaram de ser destinados ao Aterro Sanitário e se transformaram em biogás e fertilizante, que abastece as hortas implantadas pelo projeto, um exemplo concreto de sistema circular. A Prefeitura gostou tanto dos resultados que anunciou a expansão da tecnologia para todas as escolas da rede municipal de ensino de Porto Alegre.

 

  • Oficinas educativas e práticas baseadas em princípios de economia circular foram realizadas nas escolas participantes. Visões de economia circular foram criadas pela comunidade, considerando sete pilares de atuação: saúde e bem-estar, cultura, biodiversidade, manejo e extração da água, energias sustentáveis, materiais circulares e geração de valor e renda. Cerca de 2200 pessoas foram diretamente beneficiadas pelas atividades do projeto.

 

  • Também foi realizado levantamento de dados junto à direção das duas escolas, com produção de diagnóstico sobre a utilização de recursos e emissões. Por meio do mapeamento, as escolas descobriram que o recurso mais consumido é a água e que a maior fonte geradora de gases de efeito estufa está vinculada ao consumo de carne nas merendas. Indicadores de desempenho foram desenvolvidos para ajudar as escolas a monitorem seu avanço em direção à visão de economia circular criada pela comunidade.

 

  • O projeto também deixou de legado à cidade uma Prova de Conceito, documento que reúne a experiência, a metodologia e os resultados, com recomendações para a Prefeitura e a todos os interessados na reaplicação da iniciativa.

 

SOLAR – Sustentabilidade para todos (Curitiba)

Organização líder: Ambiens Sociedade Cooperativa

Resumo do Projeto: o Centro Comunitário da comunidade 29 de março foi reformado, ganhou placas fotovoltaicas, sistema de aquecimento solar para os chuveiros e rede de iluminação led nas ruas.

 

  • O SOLAR levou iluminação pública, mais dignidade e mais segurança para 605 moradores da comunidade 29 de Março, em Curitiba. Foram instaladas 35 luminárias LED nas ruas. A rede é alimentada com energia solar fotovoltaica, gerada no Centro Comunitário, que foi reformado por meio do projeto. A produção de energia resulta em zero emissão de gases de efeito estufa. Em 30 anos, 90t de CO2e serão mitigadas graças à iniciativa.

 

  • O Centro Comunitário 29 de Março recebeu uma nova estrutura de telhado para abrigar o sistema de aquecimento solar e placas fotovoltaicas, que geram energia 100% limpa e alimentam as luzes da biblioteca, Internet gratuita para a comunidade, computadores, tomadas, chuveiros novos e rede de iluminação nas ruas. A energia excedente é armazenada em baterias para uso à noite e em dias nublados.

 

  • Um dashboard online foi construído e proporciona a visualização dos dados gerados pela iniciativa e informações da comunidade. Qualquer pessoa pode acompanhar em tempo real como a justiça energética e climática está sendo trabalhada na periferia de Curitiba.

 

  • O SOLAR é um dos projetos do Action Fund Brazil mais repercutidos, tendo sido apresentado em diversos eventos nacionais e internacionais. Foi apresentado, entre outros eventos, no Fórum Mundial Urbano 11, na Polônia. Junto com outra iniciativa brasileira, o SOLAR foi listado no compêndio mundial de práticas de cidades inteligentes centradas em pessoas da ONU-Habitat.

 

 

Painel de Indicadores de Mudanças Climáticas de Curitiba (Curitba)

Organizações líderes: Observatório do Sistema FIEP, SENAI Paraná

Resumo do projeto: plataforma on-line, que reúne aproximadamente 100 indicadores relacionados às causas e ao impacto da crise climática no território.

 

  • Por meio de um processo robusto de revisão bibliográfica e de inteligência coletiva, que contou com o apoio de 53 especialistas, foram criados aproximadamente 100 indicadores, divididos em oito eixos, sobre a crise  climática relacionados à Curitiba. O Painel é online, de acesso público e disponibiliza dados confiáveis que podem ser usados por acadêmicos, gestores públicos, indústrias, empresas e cidadãos de todo o Brasil e do mundo para o desenvolvimento de ações fundamentadas na ciência.

 

  • O Painel contribui diretamente para implementação e governança do Plano de Ação Climática de Curitiba, o PlanClima, e contou com o apoio da Prefeitura de Curitiba. Para dar visibilidade sobre as possibilidade de utilização dos dados gerados, o Observatório do Sistema Fiep promoveu dois concursos com premiação financeira, voltados a universidades e escolas públicas. Cerca de 400 crianças da rede pública de ensino de Curitiba devem se beneficiar com os projetos de sustentabilidade que serão desenvolvidos pelas três escolas premiadas.

 

  • A plataforma abriga ainda um simulador de cenários de emissões de gases de efeito estufa compatíveis com o grau de ambição das medidas de sustentabilidade a serem implementadas na cidade. O simulador foi desenvolvido com base em inteligência artificial, ciência e automação de dados e algoritmos matemáticos. Vários documentos científicos e publicações relevantes para o tema também estão disponíveis para consulta e download.

 


Sistema de indicadores de sustentabilidade para o transporte público urbano na cidade de Porto Alegre (Porto Alegre)

Organização líder:Centro Brasil no Clima

Consórcio: Grupo de Economia do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Universidade Federal do Rio de Janeiro (GEMA/UFRJ) e Instituto Augusto Carneiro

Resumo do projeto: estudo sobre o impacto e a economia de recursos públicos que a eletrificação da frota de ônibus pode gerar para o município.

 

 

  • Os resultados da simulação produzida pelo modelo apontam a viabilidade econômica do processo de eletrificação.

 

  • No cenário mais ambicioso, que prevê a eletreficação de toda a frota de ônibus do transporte público de Porto Alegre em 2023, haveria uma economia de R$3,7 bilhões até 2050 e, se considerados os custos inerentes da poluição na saúde da população, R$9 bilhões. Além disso, ao menos 3,5 milhões de tCO2e não seriam emitidas neste período.

 

  • No segundo cenário, que leva em conta a eletrificação da frota em 2036, ano de encerramento do atual contrato de concessão do transporte público, haveria uma economia de R$1,5 bilhões em custos de operação e R$4,25 acrescentando os valores vinculados ao sistema de saúde local e de produção sacrificada. Nesse caso, seriam evitadas as emissões de 1,7 milhão de tCO2e.

 

  • Para completar a perspectiva trazida, 502 usuários do transporte público da cidade foram entrevistados. Quase metade da mostra afirmou estar disposta a pagar mais por uma frota elétrica, enquanto 51% não está disposta a arcar com os custos. Os que afirmam deter maior nível de conhecimento sobre mudanças climáticas, assim como os mais escolarizados, foram os que atribuíram maior importância à redução das emissões de GEE pelo setor.

 

 

 

 

📸 Fotos: Ambiens, ICLEI América do Sul, Prefeitura de Porto Alegre, Senai-PR e ViaVerde.

Tags: