Como os profissionais do clima do ICLEI América do Sul enxergam a profissão?

O Youth Climate Leaders (YCL), organização parceira do ICLEI América do Sul desde 2018, celebra hoje (24/11) o Dia do Profissional do Clima.

24 de nov de 2020

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Como um momento para sensibilizar jovens e pessoas em transição de carreira sobre as oportunidades de emprego conectadas aos desafios atuais, o Youth Climate Leaders (YCL), organização parceira do ICLEI América do Sul desde 2018, celebra hoje o Dia do Profissional do Clima por meio de atividades de networking, apresentações, perguntas e respostas interativas e uma ampla reflexão acerca do tema. É também a ocasião para refletir sobre a interdisciplinaridade e multidisciplinaridade das questões de mudança do clima e a importância das mais variadas profissões e setores da sociedade que trabalham com essa agenda. Confira a programação completa: https://www.youthclimateleaders.org/dcp

 

Para se juntar a essa celebração importante, Rodrigo de Oliveira Perpétuo, secretário executivo do ICLEI América do Sul, explicou a importância de apostar nas juventudes para um futuro mais justo e inclusivo, durante o painel “Fomentando Carreiras na Nova Economia Climática”, realizado no âmbito da Conferência Brasileira de Mudança do Clima, no dia 12 de novembro. “A agenda do clima é uma agenda de longo prazo. O Acordo de Paris olha para uma caminhada que já começou, que é muito difícil e que vai nos levar até 2050 como horizonte de meta. Portanto, essa geração que está vindo é a que vai protagonizar as principais decisões relacionadas à agenda climática”. 

 

Para responder a esse desafio, o ICLEI América do Sul desenvolve programas e projetos de ponta por meio de sua linha de atuação Líderes do Futuro, para ativamente sensibilizar e formar as juventudes à agenda do desenvolvimento urbano sustentável que inclui várias atividades e programa para capacitar futuros profissionais do clima.   

 

Nesse sentido, o ICLEI América do Sul  permite às juventudes interessadas nas carreiras do clima um contato privilegiado com seus especialistas responsáveis pelo desenvolvimento de projetos, estratégias e metodologias que oferecem soluções para as cidades de sua rede e permitem que a instituição seja cada vez mais reconhecida na área do desenvolvimento urbano sustentável. A diversidade de carreiras dentro do ICLEI é composta por gestores,  engenheiros ambientais, internacionalistas, juristas, economistas, biólogos, arquitetos, especialistas em planejamento urbano, comunicadores, entre outros. Essa diversidade garante a disponibilidade de  experiências e talentos de várias áreas de conhecimento para promover soluções completas e adequadas aos desafios dos governos locais da América do Sul. 

 

Assim, para celebrar o Dia do Profissional do Clima e ressaltar a importância dessa profissão para as novas gerações e profissionais em início de carreira, os colaboradores do ICLEI , Igor Albuquerque,  gerente da Área de Projetos Técnicos, e Camila Chabar  coordenadora da Área de Mudança do Clima, compartilharam algumas reflexões importantes sobre o assunto:

 

 

Trabalho com a agenda de Mudança do Clima há 13 anos, sendo 8 anos no ICLEI. Tenho um Bacharel em Relações Internacionais pela PUC-SP e sou Mestre em Gestão de Carbono pela Universidade de Edimburgo. Participei da elaboração de 12 Planos de Ação Climática e trabalho também com o setor de resíduos, no projeto Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG).  Como profissional , acumulei experiências internacionais no Brasil, Reino Unido, Colômbia e Argentina.

 

“Há muitas áreas e setores que o profissional de clima possa se especializar como transporte, energia, resíduos, florestas, economia , agricultura e soluções baseadas na natureza.”

 

  • O que o motivou a seguir a carreira de profissional do clima?

Meu interesse em trabalhar com a agenda climática surgiu durante a faculdade. No curso de Relações Internacionais, muitas matérias estavam ligadas às discussões sobre regimes internacionais como Protocolo de Kyoto e Protocolo de Montreal. Compreender como se constituíam as deliberações, compromissos e mecanismos para controlar as emissões de gases e consequentemente melhorar a sustentabilidade do planeta também despertou meu interesse a me especializar nessa área. Em meu primeiro estágio, na Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, pude acompanhar como as discussões internacionais eram instrumentalizadas no âmbito local. A partir dessa experiência, resolvi fazer um mestrado em Gestão de Carbono.

 

  • De seu ponto de vista, quais competências técnicas são necessárias para alguém que está começando a carreira de profissional de clima?

É necessário muito estudo, cursos e acompanhamento de todas as atualizações na agenda climática por meio de notícias sobre arranjos políticos, tecnologias, finanças e novos desafios que surgem todos os anos. O profissional precisa desenvolver senso crítico e conseguir interpretar os estudos científicos de forma que façam sentido em seu dia a dia. É imprescindível que o profissional desenvolva conhecimentos sólidos em mitigação (redução de emissões) e adaptação (aumento da capacidade adaptativa aos impactos climáticos), dessa forma conseguirá atuar de forma integrada na agenda climática. Embora seja um tema multidisciplinar, há muitas áreas e setores que o profissional possa se especializar como transporte, energia, resíduos, florestas, economia , agricultura e soluções baseadas na natureza. De qualquer forma, o mais importante é compreender como funciona os acordos internacionais, seu reflexo na política internacional e como as tecnologias podem auxiliar o cumprimento de compromissos oficiais ou voluntários.

 

  • Em sua opinião, qual é o maior desafio do profissional do clima atualmente?

Creio que o maior desafio seja compreender como o contexto global tem impacto na realidade local e vice-versa, conseguindo identificar o foco de sua atuação. Da minha experiência, vejo que compreender esse contexto veio com o tempo, por meio da minha própria atuação profissional. O mestrado focado em mudança do clima me proporcionou um bom conhecimento em diversas áreas, no entanto, somente a prática, ao entrar em contato com a realidade de empresas, cidades e populações me trouxe a compreensão sobre as limitações, oportunidades, barreiras e a urgência de mudança na sociedade. Assim, recomendo que aqueles que queiram atuar na área jamais parem de estudar e comecem a atuar profissional ou voluntariamente em atividades ligadas à agenda climática.

 

 

Trabalho no ICLEI como coordenadora da área de mudança do clima há 3 anos, no entanto, tenho uma experiência somada de 10 anos trabalhando com a agenda de sustentabilidade. Sou formada em Relações Internacionais pela PUC-SP com estudos de extensão em Sustentabilidade e Responsabilidade Social na FGV-SP, e um  MBA em Economia e Negócios pela UFScar. Antes do ICLEI, atuei em empresas multinacionais, no setor público e em organizações do terceiro setor e tive também a oportunidade de realizar estudos internacionais na Islândia, Irlanda e Argentina.

 

“ O profissional que trabalha com clima pode passar pelos três setores. Eu mesma passei por eles na minha carreira.”

 

 

  • Qual impacto você visa ter por meio da sua profissão?

Gosto muito dessa pergunta e a resposta é simples, quero que o mundo mude para melhor! Que seja um lugar onde todas e todos possam viver com qualidade de vida em qualquer cidade de qualquer tamanho, sem prejudicar os recursos naturais e com consciência das suas escolhas diárias.

 

  • Quais qualidades você considera serem as mais importantes para trabalhar nessa área?

Ser proativo e confiar em si! Trabalhar com clima, e até sustentabilidade em geral, é enfrentar diariamente pessoas duvidando e questionando. É a confiança de que este é um caminho positivo e que esta profissão irá ser parte de um esforço coletivo muito grande, que nos mantém firmes e fortes no propósito de um mundo melhor

 

  • Quais são algumas possibilidades de carreiras na área de clima disponíveis para jovens profissionais e como acessá-las?

Parece que não, mas temos muitas! O profissional que trabalha com clima pode passar pelos três setores. Eu mesma passei por eles na minha carreira. No setor privado, empresas do agronegócio ou relacionadas, tem espaço para este profissional. Consultorias que produzem inventários de GEE e estudos de vulnerabilidade, seja para empresas ou para poder público, também contratam profissionais do clima. No setor público, esses profissionais se encaixam em secretarias e departamentos que lidam com planejamento urbano sustentável e, no terceiro setor, organizações internacionais e nacionais com foco em sustentabilidade. Qualquer graduação pode entrar nesta carreira! Basta se especializar em inventários, estudos ou mesmo planejamento sustentável.

 

Saiba mais sobre a atuação do ICLEI América do Sul na agenda de mudança do clima: https://americadosul.iclei.org/atuacao/mudanca-do-clima/

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