Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas vai focar estudo nas cidades

O Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC) anuncia foco de estudos e análises nas cidades brasileiras

02 de maio de 2014

Reprodução

Após lançamento de parte das contribuições para 5º Relatório do IPCC (Painel Intergovernamental das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), o Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC) anuncia foco de estudos e análises nas cidades brasileiras entre os anos de 2014 e 2016. O anuncio foi feito pela presidente do Comitê Científico do painel, professora Suzana Kahn, do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ), durante o seminário Conclusões do 5º Relatório do IPCC, Extremos Climáticos e seus Desdobramentos na Disponibilidade Hídrica e na Geração Elétrica no Brasil.

Pela primeira vez, o Relatório do IPCC incluiu um capítulo dedicado a opções de mitigação da emissão de gases do efeito estufa em áreas urbanas. O capítulo, referente ao Grupo 3 do Relatório, nomeado Assentamentos Humanos, Infraestrutura, e Planejamento Territorial’’ (Human Settlements, Infrastructure, and Spatial Planning) foi coordenado por Karen Seto, professora de urbanização e tecnologia na Yale School of Forestry & Environmental Studies (F&ES) e Shobhakar Dhakal do Instituto Asiático de Tecnologia.

Seto destaca a importância do estudo em áreas urbanas, já que antes os capítulos do IPCC focavam os estudos de mitigação separados por setores, mas as cidades são diferentes, pois são os lugares nos quais todos os setores se convergem, abrindo portas para o desenvolvimento de estratégias integradas entre os setores. “Pensar a cidade como um todo vai possibilitar estratégias sistêmicas de mitigação, que se mostram mais eficientes no controle de emissões do que ações em setores individuais”, concluiu Karen Seto.

A Presidente do Comitê Científico do Painel Brasileiro, Suzana Kahn, analisou a formulação do Grupo 3 do Relatório e disse que apenas medidas tecnológicas não serão capazes de manter o aquecimento global dentro da melhor perspectiva, entre os 900 cenários analisados pelos cientistas, que é de subir 2,5 graus Celsius até o final do século. Ela ressaltou a urgência dizendo que necessitamos uma ‘’profunda descarbonizada da energia’’, o que implica em mudanças no atual padrão de consumo energético mundial, muito baseado em combustíveis fósseis.

Na oportunidade, Suzana ainda deu um panorama do crescimento populacional relacionado à importância das ações em cidades dizendo, ‘’a população urbana em 2050 é esperada para ser de 5,6 bilhões a 7,1 bilhões de pessoas. Quase 70% da população mundial vão estar nas cidades, que consomem mais da metade da energia mundial. Daí a importância de se olhar as cidades quando se está pensando em mitigação das emissões. As cidades também são as que vão sofrer os maiores impactos das emissões, é onde a população está, é onde os danos vão acontecer, ao mesmo tempo em que as cidades são uma grande fonte de emissão. Portanto, deve ser tratada como um setor para reduzir as emissões’’.

Sendo assim, o PBMC irá trabalhar a questão da mudança climática das cidades brasileiras, tanto no diagnóstico de medidas e tecnologias disponíveis, quanto na adequação às tipologias das cidades, já que cada uma apresenta um cenário distinto. Agora, será realizada uma reunião do conselho diretor e do comitê científico para discutir o plano de trabalho. ‘’As cidades são uma fonte de emissão e também uma fonte de solução para os problemas climáticos’’, afirmou Suzana.

 

Fonte: Agência Brasil e Yale School of Forestry & Environmental Studies