Juventudes se engajam na construção do Plano Local de Ação Climática

Jovens de Fortaleza e Recife participam das discussões climáticas em torno das ações que serão implementadas em ambas as cidades

09 de set de 2020

Participantes da iniciativa SD Labs em workshop com apoio da 1ª fase do Projeto Urban-LEDS, em junho de 2019, em São Paulo.

Para incluir uma perspectiva das juventudes na elaboração dos Planos Locais de Ação Climática do Recife (PE) e de Fortaleza (CE), o “Workshop das Juventudes – Construção do Plano Local de Ação Climática”, elaborado pelo ICLEI América do Sul, com apoio de movimentos locais, mobilizaram participantes de 15 a 30 anos para a discussão em torno da questão: “O que é mais importante destacar no plano de ação para o clima na sua cidade?”

 

A partir do debate, os jovens definiram proposições que orientam diretrizes e ações a serem integradas no documento final do estudo, sujeitas à validação e adaptação após revisão do ICLEI e dos pontos focais das cidades. 

 

Os encontros virtuais, realizados com representantes do Recife, no dia 20 de agosto, e de Fortaleza, no dia 27, resultaram em propostas focadas na sensibilização das juventudes por meio da educação ambiental, a redução da desigualdade social como norteadora de políticas para um planejamento inclusivo, o consumo consciente aliado à uma gestão aprimorada de resíduos e a importância de ações intersetoriais entre o poder público, a sociedade civil e as organizações da cidade. 

 

Workshop com jovens do Recife, no dia 20 de agosto.

 

“Como quem irá vivenciar em seu maior grau os impactos da mudança do clima e de todas as outras ameaças à sustentabilidade, as juventudes não podem ser ignoradas. O ICLEI entende esse desafio e trabalha ativamente desde 2017 na capacitação e na inclusão das juventudes em diversos processos de tomada de decisão e de construção e implementação de soluções para responder aos desafios do desenvolvimento urbano sustentável das cidades e governos locais associados a sua rede.” declarou Armelle Cibaka, consultora da frente Líderes do Futuro do ICLEI América do Sul.

 

O envolvimento dos jovens nas atividades e projetos desenvolvidos pelos governos garante que as novas relações entre os indivíduos, as instituições e o ecossistema não ameacem o direito das gerações futuras de suprirem suas próprias demandas e necessidades para uma melhor qualidade de vida. A atuação dos jovens é de tamanha importância que, em resposta à recomendação da Conferência Mundial de Ministros Responsáveis pela Juventude em 1998, dia 12 de agosto foi declarado pela Assembleia Geral da ONU em 1999, o Dia Internacional da Juventude.

 

Leta Vieira, representante da prefeitura do Recife, considerou o momento de troca e escuta com a juventude da cidade como o mais marcante de todo o processo de construção do Plano Local de Ação Climática. “É com uma juventude ativa, atenta, reivindicadora e esclarecida que construiremos um Recife  inclusivo, ambientalmente equilibrado, de carbono neutro e resiliente à mudança climática.”

 

Para Cássia Cavalcante, da Célula de Sustentabilidade e Mudanças Climáticas de Fortaleza, o workshop foi um momento propício para que a juventude local pudesse se inserir em espaços de tomada de decisão e de desenvolvimento de soluções. “Ademais, engajar os jovens nos processos políticos que envolvem a definição de uma agenda climática deve estar sempre em prioridade, proporcionando um incentivo para que eles venham a ocupar espaços estratégicos com ideias inovadoras e criativas.” 

 

“É urgente a criação de espaços reais de fortalecimento dessas pautas, voltados especificamente para a participação popular das juventudes”, observou Symone Falcão, 27 anos, membro do Coletivo Jovem de Meio Ambiente do Recife. “Isso porque pude perceber que estamos abertos a potencializar a capacidade de apoio à gestão climática da cidade, por meio do protagonismo jovem.”

 

Para ela, a articulação comunitária para disseminação de informação é fundamental na ação climática, mas é necessário o apoio da gestão local e de diferentes setores para que isso se concretize. “Afinal, as populações mais vulneráveis aos efeitos causados pelas mudanças do clima também são aquelas que estão em vulnerabilidade social, resistindo e criando mecanismos de sobrevivência. Portanto, a ação climática necessita promover principalmente a justiça socioambiental na cidade do Recife”, encerrou Falcão.

 

“O principal público que realmente consegue enxergar a mudança climática com a devida urgência, é a juventude. Os jovens realmente conseguem entender que a ação deve ser local, individual, coletiva e sem demora! Por isso, ouvi-los no processo do Plano Local de Ação Climática das cidades, é essencial” Camila Chabar, coordenadora de Mudança do Clima do ICLEI América do Sul, comentou sobre o processo.

 

O “Workshop das Juventudes – Construção do Plano Local de Ação Climática” foi uma iniciativa proposta pelo ICLEI América do Sul, por meio do projeto Urban-LEDS II, que visa tornar as estratégias de desenvolvimento de baixa emissão uma parte fundamental da política e planejamento urbano nas cidades, e da linha de atuação “Líderes do Futuro”, que desde 2017 desenvolve atividades para a capacitação, a sensibilização e a inclusão das juventudes à agenda de sustentabilidade.  

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