Dia do Cerrado: programa leva esperança aos produtores rurais do bioma

“Fontes para o futuro”, do Instituto Espinhaço, propõe a implementação de novas modelagens de conservação de solo e água, de recomposição florestal e de arranjos produtivos

11 de set de 2020

Crédito: Roberto Murta/Revista Sagarana

Celebrado no dia 11 de setembro, o Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro, atrás apenas da Amazônia, e estende-se por grande parte das regiões centro-oeste, nordeste e sudeste do país. Em 2020, no entanto, a data comemorativa acontece em um momento delicado ao bioma, que tem sofrido com queimadas intensas e com o desmatamento. 

 

De acordo com um monitoramento do Instituto Centro de Vida, baseado em dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), entre janeiro e setembro deste ano mais de 500 mil hectares do Cerrado foram tomados pelo fogo. Ainda de acordo com o INPE, entre 2018 e 2019 mais de 6.450 km² do bioma foram ceifados pelo desmatamento – o equivalente a quatro vezes o território da cidade de São Paulo (SP).

 

Fontes para o Futuro

 

É nesse cenário que o Instituto Espinhaço – primeira instituição a nível regional a aderir ao ICLEI América do Sul, em 2018 – lança o programa “Fontes para o Futuro”. Segundo o presidente da organização, Luiz Oliveira, a iniciativa pretende levar esperança aos produtores rurais do bioma e deixar um importante legado para a futura geração de brasileiros. “Para nós, mais do que plantar árvores, queremos plantar esperança para a sociedade brasileira”, afirma Oliveira, em vídeo de divulgação do programa.

 

Característico do clima tropical continental, o Cerrado possui duas estações bem definidas: uma úmida (verão) e outra seca (inverno). Através da implementação de novas modelagens de conservação de solo e água, de recomposição florestal e de arranjos produtivos, o “Fontes para o futuro” pretende recuperar as nascentes da região e criar condições para os produtores rurais atravessarem o período de seca.

 

“Se não tivermos água, será impossível produzir os produtos que saem daqui para a mesa da população e também para o comércio exterior brasileiro”, observa Oliveira, ressaltando a necessidade de aliar a conservação do bioma com a produção para o agronegócio do país.

 

“O PIB brasileiro é estruturado a partir dos serviços ecossistêmicos gerados pelo Cerrado, que amparam a produção do negócio agrícola brasileiro. É possível fazer essa recuperação com qualidade, estabelecendo mecanismos que impulsionem a ação ambiental e sejam uma alternativa econômica para o Brasil.”

 

Lançamento

 

O “Fontes para o Futuro” foi lançado nesta sexta-feira (11), na fazenda Ninho das Águas, em Buritis (MG). Participaram do evento Paulo Brant, vice-governador de Minas Gerais – estado associado ao ICLEI América do Sul -, Germano Vieira, secretário estadual do Meio Ambiente, três ministros de Estado e o presidente e ministros do Tribunal de Contas da União (TCU).

 

Além de ser uma ação estratégica que fortalece as alternativas para o desenvolvimento sustentável no Cerrado, o evento também foi marcado pela filiação do Instituto Latino-Americano de Governança e Compliance Público (IGCP) ao ICLEI América do Sul. 

 

O IGCP é uma entidade sem fins lucrativos que tem como missão colaborar com a implantação de políticas de Governança e Compliance no Brasil. Os seus trabalhos são pautados na visão de um país onde a Governança seja executada de forma íntegra, ética, transparente e com foco na entrega de valor à sociedade, tornando o país competitivo e desenvolvido de forma sustentável – tanto social como economicamente.

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