LUPPA realiza terceiro seminário da 5ª edição sobre desafios da monotonia alimentar

Gestores municipais debateram ações locais para promover diversidade nos sistemas alimentares durante encontro online

07 de maio de 2026

O Laboratório Urbano de Políticas Públicas Alimentares (LUPPA) realizou, na última quarta-feira (29), o terceiro seminário da 5ª edição do programa. Promovido pelo Instituto Comida do Amanhã com correalização do ICLEI América do Sul, o encontro, realizado de forma online, reuniu gestores municipais da rede para discutir os desafios da monotonia alimentar e ações ao alcance das cidades para promover a diversidade nos sistemas alimentares. O evento contou com apoio da Cátedra Josué de Castro (USP) e faz parte da programação formativa do LUPPA de 2026.

 

Ao abordar o conceito e desafios da tríplice monotonia alimentar, a pesquisadora Nadine Marques – nutricionista, mestra e doutora em Saúde Pública pela Faculdade de Saúde Pública da USP e coordenadora executiva da Cátedra Josué de Castro, – apresentou um panorama dos sistemas alimentares e sua organização complexa e por rede, além de contextualizar como a Revolução Verde dos anos 60 e a prevalência de técnicas que expandiram a produção agropecuária no contexto do pós-guerra continuam a impactar as técnicas até hoje. 

 

Neste contexto, surge a tríplice monotonia alimentar – formada principalmente por monoculturas, na área agrícola; pela prevalência de raças intensivas, na área da pecuária; e dos ultraprocessados na área alimentar. Além disso, a especialista também abordou o impacto da hegemonia do controle corporativo sobre a produção no campo, que influencia na disponibilidade de sementes, agrotóxicos e modelos de produção que seguem a lógica de poucas, mas gigantes, empresas do setor privado. 

 

O contraponto local surge a partir da agroecologia e suas práticas. Entre os destaques, estão a diversificação de sementes com a incorporação de sementes crioulas, que são guardadas por comunidades tradicionais, bioinsumos no lugar de fertilizantes químicos, cultivos integrados em rotação e sistemas agroflorestais. Priorizar espécies locais adaptadas a biomas regionais para resgatar culturas alimentares e desintensificar criações de aves/suínos, além de intensificar moderadamente bovinos com regulação de antibióticos, também foram práticas citadas pela pesquisadora ao longo do webinário. 

 

Entre as experiências compartilhadas pelas cidades participantes no esforço contra a monotonia alimentar, os municípios de Campinas (SP), Niterói (RJ) e Santarém (PA) trouxeram experiências locais para ampliar o debate:

 

  • Mariana Maia, de Campinas (SP), apresentou o Programa “Campinas Solidária e Sustentável” (Lei 16.183/2021, Decreto 2024), que estimula agricultura urbana agroecológica com 253 hortas cadastradas, fornecendo 300 mil mudas, composto, kits de ferramenta e água com tarifa social. 
  • lbson Viana, de Niterói (RJ), detalhou a Lei 3.766/2023, que proíbe venda de alimentos e bebidas ultraprocessados em escolas públicas e privadas, originada de pesquisa sobre obesidade infantil e dialogando com cozinhas solidárias e workshops de alimentação sustentável. 
  • Vanderlina Maia, de Santarém (PA), compartilhou a parceria de 2026 com Emater-PA (via ICMBio na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns), que oferece assistência técnica rural para 5 mil famílias extrativistas/ribeirinhas, diversificando de mandioca para hortaliças/frutas.

 

O seminário reforçou que a monotonia alimentar não é uma escolha individual, mas um modelo enraizado no sistema agroalimentar atual, cujas alternativas e aprimoramentos passam pela agroecologia e pela articulação local. Ao conectar teoria e prática, o seminário do LUPPA demonstrou como cidades brasileiras podem liderar a transição para sistemas alimentares mais diversos, sustentáveis e justos, com exemplos práticos vindos das cidades brasileiras e de seus contextos sociais, culturais e ambientais. 

 

Sobre o Programa

 

O LUPPA é uma plataforma colaborativa e um programa contínuo de aprendizagem, para apoiar e facilitar que cidades promovam políticas alimentares com abordagem sistêmica, de forma intersetorial, coerente e participativa. Idealizado pelo Instituto Comida do Amanhã em correalização com o ICLEI Brasil, conta com o apoio pleno do Instituto Ibirapitanga, do ICS – Instituto Clima e Sociedade, ITAÚSA, do Instituto Infinis e da Porticus, além do apoio institucional da FAO Brasil – Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura.


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