A 15ª Conferência das Partes (COP 15) da Convenção sobre a Conservação de Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS) será realizada de 23 a 29 de março de 2026, em Campo Grande (MS), e reunirá governos federais e subnacionais, pesquisadores, comunidades tradicionais e instituições da sociedade civil para debater ações e definir prioridades de conservação.
Nesta agenda, o ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade irá promover a Cúpula de Governos Subnacionais e o 2º Encontro Regional Centro-Oeste do ICLEI Brasil, que acontecerão nos dias 26 e 27 de março de 2026 no Auditório do Bioparque Pantanal, como um espaço para protagonismo de governos locais e regionais na agenda de biodiversidade nacional.
A agenda ocorre em parceria com a Prefeitura de Campo Grande, a Associação Brasileira de Entidades Estaduais de Meio Ambiente (ABEMA), a Associação Brasileira de Municípios (ABM), o Fórum de Secretários de Meio Ambiente das Capitais Brasileiras (CB27) e a Fundação Konrad Adenauer (KAS).
Além de sessões que fomentem diálogos acerca da conservação de espécies migratórias, será discutida a sua intersecção com temas específicos, como as agendas de biodiversidade e de clima, planejamento urbano e políticas locais, bem como será realizada uma visita técnica no Bioparque.
As discussões das mesas são focadas em:
- Espécies Migratórias no Nexus Clima–Biodiversidade: Implicações para Políticas Estaduais
- CB27: Infraestrutura Verde nas capitais brasileiras como suporte à migração de espécies
- e uma Visita Técnica ao Bioparque Pantanal, previsto para o dia 27.
Entre as autoridades esperadas, estão:
- Eduardo Riedel, governador do Mato Grosso do Sul
- Adriane Lopes, Prefeita de Campo Grande (MS)
- Jaime Verruck, Secretário de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (SEMADESC) de Mato Grosso do Sul
- Juliana Nobre, Secretária de Meio Ambiente de Belém (PA)
- Ivan Euler, Secretário Municipal de Sustentabilidade, Resiliência, Bem-estar e Proteção Animal (SECIS) de Salvador (BA)
- Bráulio Dias, Diretor Departamento de Conservação e Uso Sustentável de Biodiversidade, Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima
Também serão anunciados os mais novos participantes do Journeys for Life, iniciativa conduzida pelo Centro de Biodiversidade e Cidades do ICLEI para viabilizar capacitações e disseminar conscientização acerca do tema de espécies migratórias.
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- As inscrições gratuitas estão disponíveis neste link!
Além das agendas nos dias 26 e 27, no dia 25 de março o ICLEI também realiza o evento “Da COP15 de Espécies Migratórias à COP17 de Biodiversidade: como governos subnacionais brasileiros podem se preparar e liderar a implementação”. O evento é aberto e não necessita de inscrição. As informações estão disponíveis na programação acima.
Sobre a CMS COP 15
A Convenção se encontra no guarda-chuva dos tratados ambientais da ONU e atualmente reúne mais de 130 países-membros. Seu objetivo é de conservar e proteger espécies migratórias terrestres, aquáticas e aviárias que cruzam fronteiras ao longo de seus ciclos de vida.
As espécies migratórias dependem de uma rede de áreas conectadas, isto é, locais de reprodução, alimentação e descanso. Muitas dessas áreas estão dentro ou no entorno de cidades. Áreas úmidas urbanas, manguezais, estuários, parques municipais e zonas costeiras são exemplos de habitats fundamentais para aves migratórias e espécies marinhas. Se esses espaços forem degradados por expansão urbana desordenada, poluição ou iluminação artificial excessiva, o impacto pode comprometer rotas migratórias inteiras.
Por isso, embora os países sejam responsáveis pelas negociações, os governos subnacionais são extremamente importantes para a conservação de espécies. Cidades, estados e províncias são os responsáveis, frequentemente, pela operação de unidades de conservação, fiscalização de atividades econômicas e execução de políticas públicas que afetam diretamente as espécies migratórias. Desse modo, possuem um papel estratégico na implementação de iniciativas de conservação local, podendo influenciar e apoiar compromissos nacionais levados à CMS.
A escolha de Campo Grande como sede da COP 15 não foi por acaso. A capital do estado de Mato Grosso do Sul está situada em uma região estratégica de transição entre os biomas Cerrado, Pantanal e Mata Atlântica, o que demonstra sua importância ecológica na conservação de habitats para animais que dependem de ambientes preservados e conectados e a torna um ponto relevante para diversas espécies migratórias na América do Sul.