2º Encontro Nacional da CB27 abre discussões sobre adaptação climática e os 50 anos da SMAMUS em Porto Alegre

Secretários municipais de meio ambiente discutiram acerca de licenciamento ambiental, adaptação e desafios para a governança climática

28 de abr de 2026

Foto: Sergio Louruz/SMAMUS

O Fórum CB27, que reúne os secretários de meio ambiente das capitais brasileiras, celebrou seu 2º Encontro Nacional nesta terça-feira (28) em Porto Alegre — abrindo as agendas para o 4º Encontro Sul do ICLEI Brasil.

 

O encontro destacou os 50 anos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade de Porto Alegre, a primeira secretaria municipal de meio ambiente do Brasil, e trouxe as lições aprendidas pela SMAMUS ao longo de sua história e, especialmente, no decorrer dos dois anos após as enchentes na capital gaúcha – a pior tragédia climática da história do estado.

 

“Evoluímos para prevenção climática e redução das emissões e, agora, trazemos também a adaptação. Os eventos climáticos extremos são uma realidade, então, a preparação das cidades, com instrumentos de monitoramento e investimentos em infraestrutura, é fundamental”, enfatizou Germano Bremm, secretário municipal de Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade de Porto Alegre.

 

Além disso, o evento também abordou temas como os desafios da gestão de riscos nas capitais brasileiras e a nova lei federal de licenciamento ambiental. Para Tiago Mesquita, secretário de Meio Ambiente e Urbanismo de Natal, os aprendizados da cidade apontam para uma fiscalização mais rigorosa que balanceie um licenciamento menos burocrático.

 

“A gente construiu uma cidade mais leve do ponto de vista da burocracia, desburocratizando o licenciamento, mas ao mesmo tempo mais pesada na fiscalização e no monitoramento das condicionantes. E isso vem junto com um planejamento mais qualificado do território, com instrumentos mais modernos”, afirmou.

 

Para Berenice Domingues, diretora-presidente da Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano (Planurb) de Campo Grande, além das atuações técnicas, as secretarias precisam trabalhar com o engajamento comunitário para conseguirem implementar, de fato, planos ambiciosos que protejam a população de extremos climáticos como vistos há dois anos na capital gaúcha.

 

“A maior dificuldade que a gente enfrenta é a convivência, é o diálogo. Porque, quando você propõe aproximar as pessoas dos serviços, misturar usos, encurtar distâncias, isso mexe com interesses. E aí fica evidente que o desafio não é só técnico, ele é social. Por isso, a gente precisa investir cada vez mais em governança e em diálogo com a população, para mostrar que o que deve prevalecer não é o interesse individual, mas o quanto a cidade pode funcionar melhor para todos”, destacou.

 

O governo federal também esteve presente com a perspectiva dos dados coletados a nível nacional e da necessidade de integração para uma reconstrução, adaptação ou planejamento mais efetivos. Segundo Inamara Mello, Diretora de Políticas para a Adaptação e Resiliência à Mudança do Clima na Secretaria Nacional de Mudança do Clima, pasta do Ministério do Meio Ambiente (MMA), os indicadores mais recentes apontam a urgência de uma boa integração para tratar de temas climáticos — que, ao fim, não tratam apenas de temas ambientais.

 

“Não dá para falar de mudança do clima sem falar dos fatores não climáticos que agravam os impactos. A vulnerabilidade socioambiental, a pobreza, o déficit de políticas públicas tornam muito mais difícil preparar as cidades. Essa é a realidade de todos nós, especialmente nas periferias, que enfrentam de forma mais dura cada evento extremo. Então, a gente precisa olhar ao mesmo tempo para as ameaças climáticas e para essas vulnerabilidades, o que nos impõe enormes dificuldades. E, ao mesmo tempo, exige que a gente construa respostas mais integradas, olhando não só para o risco climático, mas para as condições sociais que determinam como esse risco se manifesta no território”, destacou.

 

Encontro do ICLEI continua na quarta (29)

 

Reconstrução, adaptação e financiamento pós-desastres climáticos são os eixos que orientam o 4º Encontro Sul do ICLEI Brasil, que será realizado em Porto Alegre entre os dias 28 e 30 de abril de 2026.

 

Gestores públicos, pesquisadores e representantes da sociedade civil de todo o país estarão reunidos na capital gaúcha para trocar experiências e debater estratégias para a construção de cidades mais resilientes diante das mudanças climáticas. 

 

Realizado pela segunda vez pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade de Porto Alegre (SMAMUS), diante dos acontecimentos e dos aprendizados depois de dois anos da pior tragédia climática da história do estado, a proposta deste encontro é de fortalecer a governança ambiental municipal, promover a troca qualificada de experiências e impulsionar a construção de agendas convergentes no âmbito das políticas públicas urbanas.

 

O 4º Encontro Regional Sul é uma realização do ICLEI Brasil, da Prefeitura de Porto Alegre e da SMAMUS, com patrocínio do grupo MRV, parceiro para os Encontros ICLEI em 2026, e do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). O 4º Encontro conta com o apoio da Fundação Konrad Adenauer (KAS) e do Fórum CB27, assim como da Frente Nacional de Prefeitos (FNP), da Associação Brasileira de Municípios (ABM), do Ministério do Meio Ambiente e da iniciativa AdaptaCidades.

 

A programação completa está disponível aqui

 

Informações de imprensa

 

Para mais informações, contate Ana Cândida e/ou Áurea Figueira em acandida.pena@gmail.com e aurea@agenciaemfoco.com.br

 

 


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