12/02/2021

Campanha realiza encontros para fortalecer o papel dos governos brasileiros na agenda global de biodiversidade

Aconteceu na última quinta-feira, 11 de fevereiro, o primeiro webinar da campanha Novo Acordo pela Natureza e para as Pessoas, lançada pelo WWF-Brasil e ICLEI América do Sul. O encontro reuniu especialistas e representantes de governos subnacionais que já implementam ações sobre a temática de Restauração e Recomposição da Vegetação Nativa.

Em sua fala de abertura, Michel Santos, gerente de Políticas Públicas do WWF-Brasil, afirma que atualmente existem duas curvas importantes para o monitoramento da perda de biodiversidade no mundo. A curva de perda do habitat natural de várias espécies, que resulta na piora da qualidade de vida, e a curva de emissões de gases de efeitos estufa, que aumenta gradativamente. “Hoje, nós atuamos para inverter essas curvas, e para intervir nessa realidade, a participação, engajamento e compromisso dos governos subnacionais é de extrema importância. Por isso, convidamos a todos para que possamos nos unir e manter as riquezas da nossa biodiversidade.” 

Secretário executivo do ICLEI América do Sul, Rodrigo Perpétuo afirma que o desafio da restauração é complexo, mas motiva o compromisso firmado pelo NANP, que se alinha com compromissos internacionais, como a década da restauração (2021-2030), lançada pela ONU.  “O ICLEI, a partir de exemplos e de casos concretos, colabora para que os governos subnacionais possam ter consciência de sua responsabilidade e acesso às melhores práticas de implementação dessa agenda. A série de diálogos que se inicia hoje vai inspirar os governos locais e seus parceiros em prol da agenda de restauração, da conservação da natureza e da qualidade de vida nos territórios.” 

“Neste ano, esperamos assumir a importância da biodiversidade por meio de um marco global que seja ambicioso e que reverta a curva de perda e degradação da biodiversidade e dos serviços ecossistêmicos”, afirma Sophia Picarelli, gerente de Mudança do Clima e Biodiversidade do ICLEI América do Sul. “Com essa campanha, temos a grande missão de mobilizar atores extremamente relevantes para concretizarem um novo marco que dará um norte sobre como precisamos endereçar a agenda de biodiversidade em diversos setores, encontrando caminhos para acelerar a implementação das ações.” 

Opinião dos especialistas: 

Mariana Oliveira, analista de Pesquisa de Florestas do WRI Brasil, afirma que o Brasil se comprometeu com a meta de restaurar 12 milhões de hectares de florestas até 2030. “O país entendeu que as florestas e a restauração são a tecnologia mais eficiente para mitigar a  mudança do clima. Depois desses compromissos assumidos, leis e decretos foram pensados para implementar essas ações em nível federal. Os documentos e instrumentos que existem hoje – código florestalplano nacional para restauração da vegetação nativa – orientam os caminhos e desafios para implementação dessa agenda a nível local.”

O gerente do Programa Reflorestar, do estado do Espírito Santo, Marcos Sossai, acredita que antes de falar do papel dos governos, é importante falar dos desafios da temática.  “O desafio agora é elaborar e implementar políticas públicas de restauração vegetal que sejam robustas, eficientes e que consigam operar em escala. Neste momento não podemos gerenciar essas políticas públicas de forma amadora. A restauração florestal precisa ser vista como um negócio, com produtos e ativos gerados para a preservação da biodiversidade. Só assim conseguiremos fazer restauração com eficiência.”  O Programa Reflorestar tem como principal estratégia de estímulo o pagamento por serviços ambientais. Hoje, 42% dos hectares em recuperação geram renda aos produtores rurais. 

Paulo Pereira, secretário de Meio Ambiente de Extrema (MG), compartilhou as ações que o município efetivou através de políticas públicas, o que culminou na criação de um sistema integrado de preservação do meio ambiente, o programa de Restauração Florestal, ligado ao projeto Conservador das Águas, trabalha para manter a qualidade dos mananciais de Extrema e promover a adequação das propriedades rurais. O Programa Extrema no Clima atua para que os empreendimentos da cidade façam inventários de suas emissões e as neutralizem através da restauração ambiental. 

Pereira acredita que esse sistema efetivo se concretizou através da articulação e envolvimento de diversos atores. “É no município que a gente consegue fazer as ações acontecerem de fato, e só conseguiremos dar robustez a essa agenda quando os gestores municipais cuidarem de seus territórios”. 

Taruhim Miranda, analista de Conservação do WWF-Brasil, salienta que a década da restauração começa agora e essa agenda pode trazer transformações que interligam a sociedade, a biodiversidade e os novos mercados com tecnologias baseadas na natureza. “Por acreditar nessa grande transformação, a principal meta do WWF-Brasil é concluir a restauração de 12 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030, meta alinhada com a ambição nacional.” Taruhim acredita que para a meta ser alcançada é preciso a implementação de arranjos que deem escala às ações locais, através de capacitação dos executores técnicos e ferramentas de gestão administrativas e financeiras para os projetos. 

Para o superintendente de Conservação da Biodiversidade da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade de Pernambuco, Maurício Guerra, estão sendo traçadas uma série de diretrizes para que os estados possam cumprir os compromissos na década da restauração. “Assim poderemos contribuir e colaborar para melhores condições de vida e permanência às espécies de nosso planeta.”

Sophia Picarelli encerrou o encontro com a mensagem de que o novo acordo busca um caminho de colaboração, necessário para mudar o cenário global. “O novo marco global reflete no dia a dia de todos nós. Que esse caminho seja construído de forma colaborativa para viabilizarmos todas as ações necessárias”.  

Assista aqui o evento na íntegra.

O próximo encontro do Novo Acordo pela Natureza e para as Pessoas acontecerá dia 08 de abril, abarcando o tema “Produção e Consumo Sustentável”. 

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