08/02/2020

Bio 2020: evento reúne especialistas e gestores públicos subnacionais em defesa da biodiversidade

Neste ano, será estabelecido um novo marco global pós-2020 para a biodiversidade. As Metas de Aichi, estabelecidas durante a décima Conferência das Partes para a Biodiversidade (COP10), em 2011, passarão por um processo de renovação para que sejam mais coerentes com o momento atual. Mas qual é esse momento?

O último relatório da Plataforma Intergovernamental Sobre a Biodiversidade e os Serviços Ecossistêmicos (IPBES), divulgado no 1º semestre de 2019, mostra que a situação da biodiversidade no contexto atual é alarmante, o que demanda uma reação imediata. O documento, que contou com a contribuição de 310 especialistas e avaliou cerca de 15.000 artigos científicos ao longo de três anos, informa que, das oito milhões de espécies de animais e plantas existentes na Terra, aproximadamente um milhão estão ameaçadas de extinção .

O relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) lançado em 2019 lembra que, no Brasil, das 1.173 espécies da fauna classificadas como ameaçadas de extinção, 188 podem ser consideradas polinizadoras, prejudicando diretamente a conservação da biodiversidade. Entre elas, estão 85 variedades de aves, 63 espécies de borboletas e mariposas, 29 de besouros, sete de morcegos e quatro de abelhas.

Pensando nisso, o evento BIO2020: Perspectivas Brasileiras para o Marco Pós-2020 da Biodiversidade propôs a estados e regiões metropolitanas, além de reservas da biosfera e diversos setores de atuação, para que reservassem três dias para refletir sobre o que essa perda significa e como os governos locais e regionais podem contribuir para que estejam contemplados nas novas metas, a serem renovadas na 15º Conferência das Partes para a Biodiversidade (COP15), que acontecerá em outubro, na China.

O 1º dia do evento (04/02) contou com uma mesa de abertura com Eduardo Trani, do Governo do Estado de São Paulo; Patricia Iglesias, da Cetesb – Companhia Ambiental; Gustavo Junqueira, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo; Rodrigo De Oliveira Perpétuo, secretário executivo do ICLEI América do Sul; Matheus Couto, representando a Convenção da Diversidade Biológica (CDB); Rui Barbosa, da União Europeia no Brasil; Marina Caetano, da Fundação Konrad Adenauer Brasil; Luiz Álvaro Menezes, Secretário de Relações Internacionais da Prefeitura de São Paulo; Juliana Cardoso, da Secretaria da Agricultura e Abastecimento de São Paulo; e Rodrigo Levkovicz, da Fundação Florestal.

“Qual é a importância deste evento? Tivemos mais de 350 inscrições, os participantes vão trabalhar em sessões temáticas paralelas e vai ser um trabalho de resultados. O governador pediu que levássemos as propostas desse evento para imaginarmos uma nova governança de São Paulo na questão da biodiversidade” aponta Eduardo Trani.

Após a 1ª mesa, o evento contou com uma rodada de apresentações, com a participação de Hiroko Mizuno, diretora assistente da Divisão de Meio Ambiente da  Província de Aichi, Japão; Ingrid Coetzee, gerente sênior de Biodiversidade e Soluções Baseadas na Natureza do ICLEI África; Renata Gómez, Oficial de Projetos da  Regions4; e Yann Laurans, pesquisador do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Relações Internacionais (IDDRI).

“Um dos nosso objetivos principais é ajudar a formar um Marco Pós-2020 da Biodiversidade que não apenas reconheça os governos subnacionais mas os faça participar da conservação global da biodiversidade” manifestou Renata Gómez, da Regions4, durante a mesa.

“É importante que os governos subnacionais participem de plataformas, como a Cities With Nature, reconhecida pela CBD, onde cidades e governos subnacionais podem compartilhar o que eles tem feito pela biodiversidade, quais os compromissos assumidos” ressaltou Ingrid Coetzee, do ICLEI África.

No período da tarde começaram as sessões temáticas para recolher contribuições para a produção da “Carta de São Paulo”, separadas por: Sessão A – Restauração de Ecossistemas e Recomposição de Vegetação Nativa; Sessão B – Uso do Solo e Conectividade – Unidades de Conservação, Conservação de Fauna e Flora; Sessão C – Produção e Consumo Sustentáveis e Favoráveis à Vida Selvagem; Sessão D – Economia Circular e Soluções Baseadas na Natureza, e Sessão E – Educação Ambiental e Sensibilização. Cada sessão contou com especialistas sobre o tema.

O evento BIO2020: Perspectivas Brasileiras para o Marco Pós-2020 da Biodiversidade foi realizado pelo ICLEI em parceria com o Governo do Estado de São Paulo, Regions4, Post2020 Biodiversity, Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de SP, Expertise France, Fundação Florestal e Cetesb – Companhia Ambiental, com o apoio da Fundação Konrad Adenauer, da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) e do Ministério do Meio Ambiente, Proteção da Natureza e Segurança Nuclear da Alemanha (BMU).

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