O workshop reuniu representantes de Guaviare, Amapá e Catalunha durante três dias de intercâmbio técnico, diálogo multissetorial e construção coletiva de caminhos para a ação climática na Amazônia.
San José del Guaviare, na Colômbia, acolheu o Workshop Territorial de Guaviare entre 26 e 28 de agosto, realizado no âmbito do projeto Catalunha para a Amazônia: Justiça Climática e Igualdade.
Durante três dias, representantes dos governos e equipes técnicas da Guaviare e da Amapá, parceiros da Catalunha, especialistas e representantes de diferentes setores participaram de um programa focado na troca de conhecimentos, no fortalecimento institucional e na construção coletiva de estratégias para avançar rumo a uma governança climática mais justa e inclusiva.
O encontro faz parte de um processo mais amplo de cooperação internacional entre territórios e busca conectar diferentes etapas do projeto, incluindo diagnósticos territoriais e institucionais, o desenvolvimento de ferramentas para uma governança climática justa e inclusiva e a construção de futuras iniciativas de cooperação e ação territorial.

Diagnósticos como ponto de partida
A primeira etapa do workshop foi dedicada a uma agenda de trabalho técnico, com foco na apresentação, validação e discussão dos resultados dos diagnósticos desenvolvidos para Guaviare e Amapá.
Os estudos analisam as políticas e instrumentos climáticos, as capacidades institucionais, os mecanismos de governança e as oportunidades para fortalecer a ação climática, a partir de uma perspectiva transversal de igualdade de gênero, direitos humanos e justiça climática.
No caso de Guaviare, a avaliação revela a existência de um quadro institucional já estabelecido e de experiências relevantes sobre as quais o departamento pode se basear, incluindo espaços para a governança climática e ambiental, estratégias de planejamento territorial sustentável e iniciativas de cooperação internacional. Ao mesmo tempo, identifica desafios relacionados ao fortalecimento das capacidades institucionais e à incorporação mais sistemática das perspectivas de gênero e direitos humanos na ação climática.
No Amapá, a avaliação indica um quadro regulatório climático recentemente consolidado, espaços institucionalizados para participação e importantes recursos socioambientais. Entre os desafios identificados estão a lacuna entre os instrumentos regulatórios e sua implementação, a necessidade de fortalecer a coordenação institucional e a integração mais efetiva das agendas de justiça climática, direitos humanos e igualdade de gênero.

Segundo Felipe Jukemura, coordenador técnico regional do ICLEI América do Sul, as avaliações fornecem informações relevantes para os territórios, combinando uma perspectiva global com uma análise cuidadosa das capacidades institucionais e políticas existentes. “Esses resultados podem orientar decisões estratégicas e contribuir para a formulação e o aprimoramento de políticas públicas voltadas para uma ação climática mais inclusiva. Além disso, oferecem subsídios para o planejamento das próximas etapas de cooperação com a Catalunha, desde a definição de projetos-piloto até o desenvolvimento — pelos participantes do projeto — de estratégias de defesa de políticas em âmbito nacional e internacional.”.

Diálogo a partir de diferentes perspectivas
O segundo dia do encontro reuniu um público mais amplo e promoveu a apresentação dos principais resultados dos diagnósticos, seguida de um espaço de diálogo multissetorial sobre questões estratégicas para uma governança climática justa e inclusiva.
Representantes de comunidades, povos indígenas, comunidades afrodescendentes, organizações da sociedade civil, instituições públicas e parceiros técnicos como o WWF, o Instituto SINCHI, a Corporação para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia Norte e Oriental (CDA), o SENA, entre outros, participaram do diálogo sobre os desafios e oportunidades para integrar a ação climática às perspectivas de gênero, direitos humanos e participação social.


O programa incluiu ainda o Laboratório Amazônia-Catalunha, uma sessão prática dedicada à reflexão sobre metodologias, ferramentas e abordagens para incorporar essas perspectivas em políticas, programas e instrumentos de governança climática territorial.
Os participantes trabalharam em grupos que reuniram representantes da Catalunha, do Amapá e de Guaviare, partilhando aprendizagens e identificando oportunidades e desafios comuns.

Para Kelly Johanna Castañeda Ruiz, Secretária de Agricultura e Meio Ambiente de Guaviare, é essencial incluir diversas perspectivas, vozes e partes interessadas de toda a região, pois isso permite o desenvolvimento de respostas socialmente validadas, tecnicamente viáveis e culturalmente enraizadas. “Diante da crise climática, é fundamental envolver os povos indígenas, as comunidades rurais e diversas instituições para construir ações concretas e impactantes”, enfatizou.

Cooperação entre territórios
Outro tema central do encontro foi a cooperação internacional. Representantes do Amapá, Guaviare e Catalunha compartilharam prioridades, desafios e oportunidades para fortalecer o trabalho conjunto entre os territórios.
Para o departamento de Guaviare, o projeto também marca o início de uma história de cooperação com o ICLEI. Já no Amapá, a oficina se baseia em uma aliança que vem se desenvolvendo nos últimos anos em diversas frentes, incluindo o apoio à participação do estado em conferências climáticas internacionais, o planejamento climático por meio da priorização e do desenvolvimento de um portfólio de projetos, a capacitação, o fortalecimento da governança e outras iniciativas conjuntas voltadas para o fortalecimento de políticas públicas sustentáveis.
A proposta parte do entendimento de que os desafios climáticos enfrentados pela Amazônia exigem respostas conectadas às realidades locais, mas também fortalecidas pelo intercâmbio entre diferentes territórios e pela construção de redes de cooperação.
Ao reunir experiências do Brasil, da Colômbia e da Catalunha, o projeto busca ampliar as capacidades institucionais, promover a troca de conhecimentos e gerar subsídios para políticas e estratégias adequadas a cada território.
Do debate à experiência no território
O terceiro e último dia foi dedicado a uma visita técnica, aproximando as discussões desenvolvidas ao longo do workshop das experiências práticas e do contexto do território anfitrião.
A atividade teve como objetivo fortalecer a aprendizagem entre pares e conectar o conhecimento compartilhado durante o encontro com possibilidades concretas de aplicação nos territórios. Tivemos a sorte de contar com o importante apoio do Gabinete do Governador, bem como das associações comunitárias Asojoter e Asofaprocagua, e da Fundação para a Conservação e o Desenvolvimento Sustentável (FCDS).


Ao longo de três dias, a Oficina Territorial de Guaviare reuniu diagnóstico, diálogo, cooperação e experiência local. As lições aprendidas, as recomendações e as contribuições desenvolvidas durante o encontro serão incorporadas às próximas etapas do projeto, fortalecendo o processo de cooperação entre a Catalunha, o Amapá e Guaviare. Nas próximas semanas, o Amapá sediará o segundo encontro, dando continuidade ao processo de intercâmbio e desenvolvimento coletivo entre os territórios participantes.

“A crise climática não conhece passaportes nem fronteiras; a crise climática é global. E acredito que o nosso humilde papel como Catalunha, como cooperação catalã, é tentar facilitar essa ponte”, reforçou Antoni Vicens, delegado do Governo da Catalunha nos países andinos, indicando também a sua intenção de que este seja o pequeno começo de uma grande jornada focada no clima e no meio ambiente.

Sobre o projeto
O projeto Catalunha para a Amazônia: Justiça Climática e Igualdade busca fortalecer a cooperação internacional entre a Catalunha, o Amapá e o Guaviare, promovendo o intercâmbio técnico, a coordenação institucional e o desenvolvimento conjunto de estratégias para enfrentar a crise climática nos territórios amazônicos.
A iniciativa tem como foco o fortalecimento das capacidades institucionais dos governos subnacionais, a promoção da justiça climática e a ampliação das oportunidades de cooperação internacional, integrando as perspectivas de direitos humanos, igualdade de gênero e desenvolvimento territorial.