Resultados da ARVC foram apresentados durante 2º encontro pernambucano do ICLEI e reuniu gestores, especialistas e instituições para discutir adaptação climática, biodiversidade e desenvolvimento sustentável no Semiárido
Belo Jardim avançou mais uma etapa na construção de sua agenda de adaptação às mudanças do clima. Durante o 2º Encontro Pernambucano do ICLEI Brasil, realizado entre os dias 5 e 7 de agosto, o município apresentou os resultados de sua Avaliação de Riscos e Vulnerabilidades Climáticas (ARVC), ampliando o conhecimento sobre os impactos climáticos que podem afetar o território e oferecendo novos subsídios para o planejamento de políticas públicas de adaptação.
Desenvolvida em parceria com o ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade, a avaliação analisou os principais riscos climáticos aos quais Belo Jardim está exposto, considerando as características do território, a exposição da população e dos sistemas locais e os diferentes níveis de vulnerabilidade. O diagnóstico permite identificar áreas e setores mais sensíveis aos impactos das mudanças do clima e contribui para orientar futuras estratégias de adaptação e fortalecimento da resiliência municipal.
A apresentação dos resultados representa a continuidade de um processo iniciado pelo município em 2025, quando Belo Jardim lançou, também em parceria com o ICLEI, seu Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa. Enquanto o inventário permite compreender o perfil de emissões do território, a ARVC amplia essa leitura ao olhar para os riscos e impactos associados às mudanças climáticas.
“A apresentação da ARVC representa um avanço importante para Belo Jardim porque nos permite conhecer melhor os riscos que o nosso território enfrenta e, a partir dessas informações, planejar ações mais efetivas. Estamos construindo uma agenda climática que considera as características do município e busca transformar conhecimento técnico em políticas públicas que contribuam diretamente para a segurança, a resiliência e a qualidade de vida da nossa população”, destaca Bruno Galvão, secretário de Meio Ambiente de Belo Jardim.
Conhecimento do território como base para a adaptação

Às vésperas do evento, Belo Jardim também recebeu a oficina de sensibilização da ARVC, realizada pelo ICLEI. O encontro reuniu gestores públicos locais e representantes da sociedade civil para apresentar os resultados do diagnóstico e promover um espaço de escuta sobre as percepções do território em relação aos riscos climáticos identificados.
Para Matheus Cabral, facilitador da oficina e especialista em Avaliação de Riscos e Vulnerabilidades Climáticas do ICLEI, o processo contribui para aproximar o diagnóstico da realidade vivida nos municípios.
“A ARVC permite compreender de forma mais territorializada onde estão os principais riscos e quais são as vulnerabilidades que precisam ser consideradas pelo município. A escuta realizada nas oficinas é fundamental porque complementa os dados técnicos com o conhecimento de quem vive e atua no território, contribuindo para que o diagnóstico seja cada vez mais conectado à realidade local”, explica.
Acesse aqui o resumo dos principais resultados da ARVC de Belo Jardim.
Ecoturismo, biodiversidade e desenvolvimento sustentável

Com o tema “Ecoturismo como Vetor de Desenvolvimento Sustentável – Conectando Clima e Biodiversidade no Semiárido Pernambucano”, o 2º Encontro Pernambucano do ICLEI promoveu discussões sobre a relação entre conservação da Caatinga, adaptação climática, biodiversidade, combate à desertificação e geração de oportunidades econômicas nos municípios.
Ao longo dos dias 6 e 7, gestores públicos, especialistas e representantes de instituições parceiras compartilharam experiências e discutiram o papel dos governos locais na construção de estratégias que conciliem conservação ambiental, valorização dos territórios e desenvolvimento econômico.
Nesse contexto, o ecoturismo foi abordado como uma possibilidade de conectar a proteção dos ecossistemas à geração de emprego e renda e à valorização dos patrimônios natural e cultural do Semiárido.
A programação contou com representantes do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Governo de Pernambuco, governos municipais e instituições parceiras, ampliando o intercâmbio entre diferentes atores envolvidos na agenda ambiental da região.
“Belo Jardim mostrou que discutir clima também é discutir desenvolvimento, território e oportunidades. A integração entre adaptação, biodiversidade e ecoturismo permite ampliar a visão sobre as possibilidades do Semiárido e pensar estratégias que façam sentido para a população e para as características de cada município”, afirma Armelle Cibaka, diretora executiva do ICLEI Brasil.
O encontro foi encerrado com uma visita técnica à Reserva Ambiental Energia das Nascentes, do Grupo Moura, que aproximou os participantes de uma experiência desenvolvida no território e relacionada à conservação da biodiversidade.
Para Belo Jardim, a realização do encontro e a apresentação da ARVC reforçam uma agenda que vem sendo construída de forma progressiva, combinando produção de conhecimento, planejamento climático e articulação com diferentes instituições. A cidade segue avançando na construção de instrumentos que apoiem decisões mais preparadas diante dos desafios impostos pelas mudanças do clima e fortaleçam sua capacidade de adaptação.
Sobre o 2º Encontro Pernambucano do ICLEI Brasil
O evento foi realizado pelo ICLEI Brasil em parceria com a Prefeitura de Belo Jardim, com a MRV como parceira anual do ICLEI em 2026, patrocínio da AMUPE e Grupo Moura e apoio institucional do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).