Agenda do Programa Mutirão Brasil Cidades Amazônicas reuniu gestores e equipes técnicas para discutir os desafios climáticos do município e fortalecer a integração da agenda climática às políticas públicas
Pensar como as mudanças climáticas podem afetar o município e, a partir disso, definir as escolhas que ajudarão a construir o futuro desejado: essa foi uma das perspectivas que orientou o processo de elaboração do Plano Local de Ação Climática (PLAC) de Barcarena, que avançou durante a agenda do Programa Mutirão Brasil Cidades Amazônicas realizada nos dias 31 de agosto e 1º de setembro.
A programação reuniu representantes da Prefeitura e equipes técnicas municipais em atividades voltadas ao fortalecimento da compreensão sobre a mudança do clima, à análise dos desafios do território e à definição de caminhos para a ação climática local.
Mais do que produzir um documento, a elaboração do PLAC busca criar uma ferramenta permanente de planejamento, capaz de orientar políticas públicas de redução de emissões, adaptação aos impactos climáticos e desenvolvimento sustentável.
O prefeito de Barcarena, Renato Ogawa, destacou essa importância: “Planejar o futuro de Barcarena também significa entender como as mudanças climáticas podem afetar nossa cidade e pensar desde agora em como podemos nos preparar. O Plano Local de Ação Climática nos ajuda a transformar conhecimento em prioridades e ações concretas, envolvendo diferentes áreas da Prefeitura e colocando o bem-estar da nossa população no centro das decisões.”

Conhecer o território para orientar decisões
Durante a agenda, foram apresentados e discutidos os diagnósticos de emissões de gases de efeito estufa e riscos climáticos de Barcarena. Os dados oferecem uma base técnica para identificar desafios, oportunidades e medidas com potencial de maior impacto para o município.
A partir dessas informações, os participantes analisaram propostas de ação e trabalharam na identificação e priorização de medidas adequadas à realidade local. O processo também avançou na discussão inicial sobre responsabilidades entre diferentes áreas da administração municipal e sobre os próximos passos necessários para colocar as ações em prática.


Mas o planejamento climático não se limita à resposta aos problemas já identificados. A agenda também propôs um exercício de visão de futuro, convidando os participantes a imaginar a Barcarena de 2050 a partir da pergunta:
“Qual a Barcarena que você quer ver e viver em 2050?”
A atividade buscou conectar as decisões tomadas no presente às necessidades futuras da população e aos desafios que a mudança do clima poderá trazer para o município.

Clima como parte do desenvolvimento do município
Em Barcarena, o trabalho dialoga com a atuação do Comitê Municipal de Resiliência e busca ampliar a integração entre diferentes secretarias, para que a agenda climática não fique restrita à política ambiental, mas passe a ser considerada nas decisões relacionadas ao desenvolvimento do município.
Essa integração é fundamental para transformar o PLAC em um instrumento efetivo de planejamento. As ações relacionadas ao clima envolvem diferentes áreas da administração pública e dependem de articulação para que possam ser incorporadas às políticas e aos investimentos municipais.

Para Hugo Salomão França, representante institucional do ICLEI para a Região Norte, a agenda climática precisa fazer parte das decisões que orientam o desenvolvimento do município. “A construção do PLAC é também um processo de articulação entre diferentes áreas da gestão, para que clima, resiliência e desenvolvimento sejam pensados de forma integrada”.
A agenda em Barcarena integra o trabalho do Programa Mutirão Brasil Cidades Amazônicas, iniciativa da Ciudades C40, hacer Pacto Mundial de Alcaldes por el Clima y la Energía y de Frente Nacional de Alcaldes (FNP), com implementação do ICLEI, no apoio aos municípios amazônicos, fortalecendo suas políticas e capacidades locais para enfrentar as mudanças do clima.