Agenda do Programa Mutirão Brasil Cidades Amazônicas reuniu gestão municipal em atividades de governança, visita técnica, análise de riscos e definição de prioridades para a ação climática local
Como fazer com que o planejamento climático responda às características e aos desafios de cada território?
Em Altamira, no Pará, essa questão esteve no centro da agenda do Programa Mutirão Brasil Cidades Amazônicas, realizada nos dias 3 e 4 de setembro. A programação reuniu gestores e equipes técnicas municipais em uma série de atividades voltadas ao avanço do processo de elaboração do Plano Local de Ação Climática (PLAC).
O PLAC será um instrumento para apoiar o município na organização de suas respostas à mudança do clima, articulando informações sobre emissões, riscos e vulnerabilidades às prioridades e à capacidade de atuação da gestão municipal.


A agenda teve início com uma visita técnica a duas iniciativas do território: os Viveiros da Secretaria Municipal da Agricultura (SEMAGRI) e a Fábrica de Bio-insumos do Instituto Federal do Pará (IFPA). Em razão da extensão territorial de Altamira e das dificuldades de acesso aos distritos e vilas, a arborização é uma das estratégias adotadas pelo município para contribuir para o controle da temperatura.
Essas visitas permitiram conhecer experiências desenvolvidas localmente e aproximar a discussão sobre planejamento climático de práticas e iniciativas que podem dialogar com os desafios e as oportunidades identificados no município.
Na sequência, foi realizada uma reunião institucional entre os parceiros do Programa, o prefeito e secretários municipais. O encontro abordou os avanços do trabalho, o cronograma de elaboração do PLAC e os próximos marcos do processo, além de discutir mecanismos de governança, coordenação entre diferentes áreas e engajamento institucional.


A programação seguiu com oficinas voltadas à sensibilização e capacitação em planejamento climático. Os participantes discutiram os riscos, ameaças e impactos relacionados à mudança do clima percebidos em Altamira, trazendo para o processo o conhecimento acumulado por quem atua diretamente no município.
“O planejamento climático precisa partir da realidade de cada território. Em Altamira, aproximar os dados e diagnósticos daquilo que é percebido por quem atua no município é fundamental para construir um plano que faça sentido para a cidade e possa orientar decisões concretas”, afirmou Hugo Salomão França, representante institucional do ICLEI para a Região Norte.
A agenda em Altamira integra o trabalho do Programa Mutirão Brasil Cidades Amazônicas, iniciativa da C40 Cities, do Pacto Global de Prefeitos pelo Clima e Energia (GCoM) e da Frente Nacional de Prefeitas e Prefeitos (FNP), com implementação do ICLEI, no apoio aos municípios amazônicos, fortalecendo suas políticas e capacidades locais para enfrentar as mudanças do clima.