23/02/2021

Paradiplomacia valoriza o poder local para que a transformação chegue ao território

O Centro de Estudos Internacionais Estratégicos Medellín Global realizou nesta terça-feira (23/02) o painel “Diplomacia das cidades: uma nova diplomacia?”, que discutiu como a paradiplomacia vem ganhando força e causando impacto nos territórios. 

Com a globalização, as relações internacionais não estão somente restritas aos governos nacionais, mas também aos subnacionais e às cidades”, afirmou Sergio Escobar, diretor executivo do Medellín Global. “As cidades são protagonistas de decisões que impactam muitas pessoas.”

Rodrigo Perpétuo, secretário executivo do ICLEI América do Sul, foi um dos convidados para o debate, ao lado de Nicolás Mancini, diretor executivo do Paradiplomacia.org, e Ignacio Araya, representante do City Diplomacy.

“Uma cidade não pode ser inteligente se não for global. A ação internacional de governos locais impulsiona o seu deslocamento de líder regional para se tornar uma referência mundial”, aponta Mancini. Ele cita o ICLEI como referência internacional no que tange à rede de cidades em prol do desenvolvimento sustentável. “Essas redes são grandes oportunidades para as cidades começarem um relacionamento internacional.”

Para Perpétuo, na última década as agendas locais de desenvolvimento sustentável ganharam um grande espaço nas discussões globais, à medida em que o fenômeno da urbanização na América do Sul já atinge 85% da população do continente. “É preciso valorizar o poder local para que as agendas climáticas se implementem nos territórios, pois é a autoridade local que regula o uso do solo.”

O City Diplomacy é uma plataforma que analisa o alcance internacional das cidades, especialmente as situadas na China. “As províncias chinesas são tão grandes que podem ser vistas como um país”, afirma Araya. Segundo ele, a China tem interesse em aprofundar relações subnacionais, a nível bilateral, e usa o exemplo do Fórum China-CELAC como uma iniciativa que estimula a cooperação entre governos locais latino-americanos e chineses.

“Esses acordos de cooperação possuem um potencial muito grande de estimular o uso de tecnologia sustentável nas cidades, além de compartilhar boas práticas e experiências, buscando oportunidades para incrementar a gestão urbana e territorial”, conclui.

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