Em Belo Horizonte, a organização participou de diálogos sobre abastecimento alimentar, fortaleceu a colaboração entre cidades e parceiros internacionais e apresentou o posicionamento do 5º Laboratório LUPPA para as COPs de clima, biodiversidade e combate à desertificação.
Entre os dias 24 e 26 de junho, Belo Horizonte (MG) – cidade associada à rede ICLEI – Governos Locais pela Sustentabilidade desde 1993 – sediou o IV Seminário Internacional de Segurança Alimentar e Nutricional. Ao longo de três dias, representantes de governos, organismos internacionais, academia e sociedade civil se reuniram para discutir caminhos que fortaleçam a segurança alimentar diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas, pelas desigualdades sociais e pelas transformações nos sistemas de abastecimento.
Na abertura, o ICLEI participou das discussões sobre o papel das cidades e dos governos locais na promoção de sistemas alimentares resilientes. Representado por Thiago Greco, a organização reforçou a importância da presença dos municípios na construção e transformação das políticas alimentares, com destaque para a troca de experiências entre cidades, academia, sociedade civil e governo.
Ainda no primeiro dia, a sessão paralela “Do nacional ao local: construindo convergências para sistemas alimentares urbanos resilientes” reuniu representantes de cidades, redes e instituições para debater governança multinível, cooperação internacional, inovação social e financiamento para a transformação dos sistemas alimentares urbanos. A iniciativa contou com a parceria da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), a Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e de parceiros internacionais. Com base na atuação junto a governos locais e regionais, durante a sessão, houve o compartilhamento de experiências do ICLEI voltadas à articulação entre sistemas alimentares, ação climática, desenvolvimento urbano e economia circular, além do destaque para iniciativas de cooperação técnica desenvolvidas na América Latina, como o CityFood.
No segundo dia, um dos momentos de maior destaque do Seminário foi o painel “Abastecimento alimentar, emergência climática e fome: desafios do Século XXI e caminhos de superação”, com a contribuição do secretário-executivo do ICLEI América do Sul, Rodrigo Perpétuo. Na ocasião, foram apresentadas as recomendações do posicionamento construído pelo 5º Laboratório LUPPA, que propõe o reconhecimento dos sistemas alimentares como eixo estruturante para integrar as agendas de clima, biodiversidade e combate à desertificação.
O documento organiza-se em torno de cinco diretrizes centrais: fortalecer o protagonismo dos governos locais; promover a diversidade alimentar e a sociobiodiversidade; incorporar princípios de justiça climática e equidade; ampliar o apoio à agroecologia; e consolidar os sistemas alimentares como tema transversal das agendas internacionais. O posicionamento completo pode ser acessado here.
Ao longo dos três dias, o seminário consolidou espaços de diálogo e intercâmbio entre diferentes atores da agenda alimentar. Para o ICLEI, a participação reforçou a importância de conectar segurança alimentar, desenvolvimento urbano e ação climática e reconhecer os governos locais como parceiros estratégicos na construção de soluções que transformem positivamente os territórios e garantam o direito humano à alimentação adequada e sistemas alimentares resilientes e integrados.