O SEEG – Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima – lançou, na terça-feira (18), um caderno com 37 soluções concretas para reduzir as emissões de metano no Brasil nos principais setores poluidores. O metano (CH4) é 28 vezes mais potente que o CO2 num período de 100 anos e causa uma parcela importante das mudanças climáticas
As soluções apresentadas pelo SEEG abrangem quatro setores: Agropecuária, Resíduos, Mudança de Uso da Terra e Florestas e Energia. As respostas mapeadas incluem ações de planejamento, financiamento, governança, operação, monitoramento, entre outras. O documento também atende a um chamado da ONU, de junho passado, para que os países se empenhem em reduzir a emissão de metano, uma das oportunidades mais rápidas, baratas e eficazes para desacelerar o aquecimento global a curto prazo.
Em primeiro lugar, está o setor da agropecuária, que liberou 15,7 milhões de toneladas de metano — o que corresponde a 75,8% do total das emissões brasileiras. Mais de 90% disso deriva da criação de gado. Para fazer frente a esse desafio, o caderno do SEEG lista 15 propostas. Elas abrangem desde planejamento territorial, assistência técnica, acesso ao crédito até mudanças no manejo dos sistemas produtivos e dos resíduos da produção animal. Elaboradas pelo Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola), as saídas indicam que é preciso envolver as cadeias de produção e consumo, passando por governos, academia e instituições financeiras.
O setor de Resíduos é o segundo mais impactante, com 16% do total de metano emitido pelo país (3,3 milhões de toneladas em 2024). Aterros e lixões liberam 68% desse total. As 12 soluções desse setor foram elaboradas por Íris Coluna, Assessora de Medição, Reporte e Verificação, e Gustavo Sanches, Assistente Técnico do ICLEI América do Sul.
Para Armelle Cibaka, diretora do ICLEI Brasil, os municípios e estados brasileiros já possuem uma regularização avançada do setor de resíduos, mas muitos governos ainda não estão totalmente cientes de soluções simples que podem ter grande impacto no total de emissões locais.
“O catálogo vem trazer soluções que não são extraordinárias, mas que precisam ser democratizadas. Elas ficam concentradas dentro de um espaço de conhecimento, e muitas vezes um município não tem acesso a isso, ou não tem, necessariamente, a indicação de que fazer tão pouco, ou mudar tão pouco, tem um impacto tão grande”, afirma.
Access the relatório completo na Biblioteca do ICLEI and the site do SEEG Soluções para saber mais sobre a iniciativa.
Veja lista de soluções dos municípios para emissões de metano a partir de resíduos
016 – Consórcios intermunicipais de resíduos (pág. 92)
- PR — Curitiba + 25 municípios da região metropolitana (Conresol)
- CE — 5 municípios do Sertão dos Inhamuns/semiárido cearense (CPMRS-SI)
- SP — Praia Grande e Mongaguá — gestão de resíduos da construção civil
017 – Fortalecimento de cooperativas de reciclagem (pág. 95)
- MG — Coqueiral (Programa Coqueiro Verde)
- SC — âmbito estadual (Decreto de Logística Reversa de Embalagens)
- RS — Montenegro (Cooperativa Estação Reciclar)
018 – Educação ambiental para gestão de resíduos (pág. 99)
- SP — Santo André (Gincana Ecológica; Ponto Limpo)
- SC — Florianópolis (Minhoca na Cabeça)
019 – Coleta seletiva em três frações (pág. 102)
- MG — Sarzedo (Sarzedo Recicla Mais)
- PE — Serra Talhada (Recicla Mais Serra Talhada)
020 – Redução de perdas e desperdício de alimentos (pág. 105)
- SP — capital (Banco de Alimentos; Banco Ceagesp) + 11 entrepostos do interior: Araçatuba, Araraquara, Bauru, Franca, Marília, Piracicaba, Presidente Prudente, Ribeirão Preto, São José do Rio Preto, São José dos Campos e Sorocaba; e Santo André (Moeda Verde)
- SC — Florianópolis (Cultiva Floripa)
021 – Encerramento humanizado de lixões (pág. 109)
- PE — âmbito estadual
- BA — âmbito estadual
- SP — Santo André (Restauração Ecológica – Parque do Guaraciaba)
022 – Rotas de tratamento biológico (pág. 112)
- SP — Santo André (Composta Santo André)
- RJ — capital (Unidade de Biometanização, Ecoparque do Caju)
- SC — Florianópolis (Capital Lixo Zero Florianópolis)
023 – Compostagem de resíduos orgânicos municipais (pág. 116)
- SP — capital (Feiras e Jardins Sustentáveis) e Santo André (Quintal Verde)
024 – Saneamento com tecnologias de baixa emissão (pág. 120)
- SP — Campinas (único exemplo desta ficha)
025 – Recuperação de recicláveis (pág. 123)
- SP — capital (Centrais Mecanizadas de Triagem)
- DF — Brasília (Usinas de Tratamento Mecânico Biológico)
026 – Aproveitamento de gás de aterros sanitários (pág. 126)
- MG — Sabará (Central de Tratamento de Resíduos Macaúbas)
- BA — Lauro de Freitas, atendendo também Salvador e Simões Filho (Aterro Metropolitano Centro)
027 – Aproveitamento de biogás de esgoto (pág. 129)
- PR — divisa entre Curitiba e São José dos Pinhais (ETE Belém – Sanepar)
Emissões de metano no Brasil
As emissões brasileiras de metano estão entre as maiores do planeta – só em 2024, foram 21 milhões de toneladas lançadas na atmosfera pelo país, segundo cálculos do SEEG. A agropecuária responde por cerca de três quartos desse total. Há cinco anos, durante a COP26, em Glasgow, o Brasil aderiu ao Compromisso Global de Metano, mas não tem cumprido a meta de reduzir essas emissões – ao contrário, o volume cresce década após década.
Atrás da agropecuária e de resíduos, o setor de Mudança no Uso da Terra (MUT) e Florestas ficou em terceiro lugar, com 5,5% do total de metano do país (1,14 milhões de toneladas em 2024). O fogo é o único processo causador de emissões na contabilidade oficial do setor. Por isso, as cinco soluções elaboradas pelo Ipam (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) são focadas no monitoramento, prevenção e combate a incêndios na vegetação nativa.
O setor de Energia responde por 2,6% das emissões (0,53 milhões de toneladas), sendo que a maior parte vem da cocção em residência (53%), seguidas pela produção de combustíveis (27%). O Iema (Instituto de Energia e Meio Ambiente) indica cinco soluções para essa frente, sendo quatro delas sobre vazamento e desperdício na cadeia de petróleo, gás e carvão.